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felicidade clandestina

Below are the 14 most recent journal entries.

 

 
  2008.02.05  23.37


"... fiquei quase desacordada cerca de duas horas, não conseguia nada. vou morrer... - pensei muitas vezes, ao tentar e não conseguir ver nada, tudo embaralhava. não conseguia pedir ajuda, meus amigos sumiram, muita gente, o bloco passando e eu sentada na rua. muita gente, meu deus. muito calor, meu coração estranho. consegui entrar e pedir ajuda.

duas horas sentada num sofá dentro de uma quitanda, a multidão passava por mim. eles comerciavam o banheiro, pois banheiro vira algo rentável, só se pode fazer xixi se tem dinheiro. parei, em frente ao banheiro da quitanda, pálida, caída, sozinha. as pessoas? elas riam. tinha pena delas, não, não de mim, eu me dei a raiva, era uma grande idiota que não ama viver, que não se ama e quase se mata, mas que ainda ama o próximo. por certo estaria ajudando, se visse alguém no meu estado. as pessoas riem da desgraça. essa falta de amor ainda vai fazer esse mundo virar um lixo completo - meu raciocínio lento dizia.


muita agonia passou até uma moça ajudar, tirou meu colete, abanou, sal embaixo da língua, tentou me fazer beber água - nada conseguia. nem beber, nem comer, nem vomitar, nem levantar. imagens distorcidas, meu corpo quase desabitado, eu em um lugar, ele em outro, um vontade imensa de chorar.

aí chorei.

chorei por horas na quitanda de ver que eu não podia mais me ajudar. de ver que morrer é muito fácil e viver muito difícil. pode ser o contrário, mas não foi esse caminho que tomei. tinham chamado a ambulância, a segunda vez no hospital só naquele dia, eu queria, dessa vez queria mesmo ir, que me levassem pra qualquer lugar que me dissessem que eu ia voltar. a ajuda médica também não veio, por mais de uma hora esperei, tentei levantar a cabeça, ela não quis. tentei falar qualquer palavra, engasguei. de duas a três horas, fiquei quase fora do meu corpo. melhorei porque não tinha outra forma. chorei muito. então me perdoei. tive que melhorar para sair caminhando. sozinha, fraca, mole, cheguei até uma loja de açaí.

- um açaí com abacaxi, morango e mel.

- não temos nenhuma das três opções.

banana e granola, óquei, fiz a minha primeira refeição do dia. e eu comi, comi, devagar, comi. tomei um café, agora um pão. sentei. chorei mais um pouquinho ao ver o pesadelo já longe. andei muito até encontrar meus amigos. eles nem sabem como não estavam lá - tudo bem, eu sou por mim, sempre, assim mesmo que vivo: para ajudar os outros quando posso, a mim quando preciso. sempre tive que levantar com as próprias pernas. prometer. prometer sempre, se há como ser diferente, vou procurar.

nesse mesmo dia encontrei o rapaz do começo, mais uma vez nos demos de companhia um ao outro, dessa vez mais por amizade. dessa vez, parece que não existia mais nada entre nós além disso. não sentia, não via nada. e sentia vontade de ir embora quando nos beijávamos. eu estava viva e completamente sozinha, muito tempo depois de ter voltado da escuridão, vim caminhando, errando só, assim vou indo, sozinha, peregrinando. deixando muita coisa pra trás, coisa que não consigo mais carregar.


sem encontrar direito um porquê. procurando algo também indefinido. sem entender direito onde acaba/acabo eu, onde começa o próximo."

 



 
 


 
  2008.02.01  23.08



and my baby says: 

- .. it's a lie, it's a cop-out,
 and i know,
you know,
i know why you won't try:
cause you're scared.
and you're weak,
and you don't give a fuck about me,
and i do believe that you hate yourself,
and i knew you'd never stay forever, 
holding it together, making songs for me...
and all right.


(...)



forevers on your side
oh it's only time
it's longer than you think.




 
 


 
  2008.01.31  16.30







- você já amou? – contei sobre minha experiência de não amar, porquê isso acontece, e não foi você quem perguntou, inda que seja o único para quem gostaria de dizer. conto o que outros me perguntam, me dizem, para suprir sua falta de interesse em questionar-me, transborda-se ao ouvir o que digo, chego perto com meus cílios em suas sardas, falo por horas enquanto circulo as mãos pelo seu peito fraco, e seu coração dispara, não sabes mas percebo, seu coração acompanhando minhas histórias bobas pelas ruas que não te encontrei, quando digo de outros, sem muita paixão e um pouco de sarro, você fica contente, e eu continuo a tremer os cílios perto dos teus, quando seus olhos abrem em duas amêndoas, brilhantes, e fogem, volte aqui, conto das cores, - vê, pintarei uma parede em azul-verde, sabe? - uhum, antes a gente se via e queria logo correr das pessoas, a conversa sempre foi nossa mesmo, com um bando inteiro dizendo tolices ao redor, converso abertamente com todos, compreendes que é pra você e se sente cheio, ah, eu sei, mas inda quer todas as bobagens só pra você, com respiração no ouvido, agora se excita mais quando toco e falo, vem vindo os minutos, mais um passo e me conta sua alma, antes disso nos poupamos de tantas palavras, não diz, vem cá e sente, a gente se entende sem tantas promessas com esse nosso novo amor das férias passadas.


 
 


 
  2007.12.10  03.08


você não me acredita?

aqui dentro estou completamente vazia. nada, nada faz sentir. viva. quase morri. alguns segundos atrás, quase ainda tô viva, vim zumbimente, eu tô aqui me arrastando, você não vê? você não vê? você não vê? não vê? não vê? não vê? tô soluçando todas essas palavras no pé do teu ouvido... e você não vê.  vou parar de ecoar. de gritar, parar de morrer, mas não, não precisa ter medo, se aterrorizar?, não, e não me venha com essa cara velada, não precisa jogar terra por cima do meu corpo, eu morri pra você? e não me dê ar, não precisa mais respirar pra mim!, não ligo, vejo, ligo nem vejo e não quero achar mais, são os últimos instantes e agora foi sempre assim, será sempre o que imaginarmos, não é bonito? não é da beleza que você gosta? agora tranformei tudo em dádiva, não fica melhor assim? imaginamos. pensei mesmo que eu morreria. e é só morrendo que posso renascer, não, não, não vai ser agora, não espere, não mais, nada mais, não me fique olhando pelo vitrô, não espie, me deixe ir assim mesmo, continua deixando as migalhas de vida caindo pelo chão, como se não tivesse lido uma carta de adeus, não vou escrever só para você não ler, vou partir como se nunca, como se não tivesse estado, já nunca estive toda sua vida, nunca existi além de ti, nunca existi na sua verdade, quais são suas verdades? você tem mesmo uma alma? não responda. nem preciso pedir, você nunca o fez. meu texto seu é cheio de nunca e de abismos. menti para você?, nunca coube em pouco espaço, e quem sabe um dia a gente se conheça pela primeira vez de novo... você possa assim agora viver,. vá viver. sou na ausência um alívio pra você, quando nada mais restar... vamos pintar tudo de cinza? eu sei, não se agüenta mais, pra que tudo isso? é que não-pecamos demais, agora somos honestos, agora somos desonestos, agora não somos mais nada. afirma com a cabeça? então concorda comigo. é de um vazio esmagador, não ter a alegria que se tem, alegrar-se? sem se ter? é e não, é tudo que pode não ser, e como não é, acaba tudo em um não sem limites. um impossível muito grande, uma vida inteira de tropeços, é um querer de um tamanho.. só a abstração para continuar vivendo essa vida mesquinha, essa merdinha,


essa migalha caída aqui e ali, num deserto.



 
 


 
  2007.09.13  00.11
sobre o tempo

ah, bem melhor seria poder viver em paz, sem ter que sofrer, sem ter que chorar, sem ter que querer, sem ter que se dar. mas tem que sofrer, mas tem que chorar, mas tem que querer pra poder amar. ah, mundo enganador, paz não quer mais dizer amor. ah, não existe coisa mais triste que ter paz e se arrepender, e se conformar e se proteger de um amor a mais. o tempo de amor é tempo de dor. o tempo de paz não faz nem desfaz. ah, que não seja meu o mundo onde o amor morreu. 

                                                                                                      tempo de amor - vinícius de moraes e baden powell


fiquei tanto sem escrever que não sei como explicar tudo isso aqui nas minhas mãos. vivo agora um daqueles momentos grandes, que mal cabe entre os seus braços fechados num abraço. é como abraçar algo maior que a volta dos braços.. o meu pai, ele tem uma barriga oval que quase impede de que as mãos se encontrem atrás, nas costas.

eu queria escrever simples e que isso contasse o como é bom que as coisas sejam assim, tão simples. e como isso pode ser tão grande e pode mais que isso, pode ser grande sem que não caiba dentro da gente. é ter meus cabelos bem lavados e ao narutal, com caixos bonitos e grandes, e ter um pijama confortável, as unhas bem pintadas, o que dá uma cor extra na vida cinza, e ter conseguido arrumar a casa, ah, arrumar a casa toda e ela estar cheirando capim limão e erva doce. 

e ter a paz de ter vivido momentos turbulentos e agora ter apenas suspiro por eles, sem precisar se dar tanto, um momento que foi e que ainda perdura. e agora olhá-los tão mais confusos e divertidos na memória, como uma música de algo muito bom que se viveu, mas feito de maneira tão harmônica que a música ultrapassa o que realmente foi. são as boas perspectivas. também tem algo que já definiram como "inteligência emocional" que eu me sinto sentindo, sem saber se seria mesmo propriamente este termo, mas olhar de outra forma, ou mesmo cegar-se para certas coisas que não estavam tendo seu devido cuidado. poupar-se é ser inteligente também.

assim eu tenho visto muita gente de vida inteligente, coerente. que pra mim não serviria de nada, se fosse apenas um modelo que se pudesse adequar, quem não seria feliz e inteligente ao viver? mas digo de pessoas que são si mesmas sem problemas. elas são. e basta.

agora tenho uma camera que me deixa lembrar dos momentos da maneira mais bonita, em papel, tirado em filme preto e branco, com desfoque e foco.. com as luzes da tarde e a serra da mantiqueira. e tenho uma porção de músicas pra me deitar e me deixar ser. e alguns amigos que estão comigo sem que eu fisicamente precise estar. lá onde a minha presença é mais que física, eu estou com eles, eles comigo.

e isso dá uma paz, que faz com que a gente se permita perder-se por aí, porque há os momentos como esse. e mesmo que hoje o vinho seja do barato, e eu não tenha taça, mas um copo de requeijão.. é de uma delicadeza como isso já me basta.



 
 


 
  2007.07.24  02.40
sobre os mistérios

i slept all day, i woke with distaste and i railed and i raved. that the difference between the sprout and the bean: it is a golden ring, it is a twisted string. and you can ask the counsellor, you can ask the king and they'll say the same thing. and it's a funny thing. 
joanna newsom, sprout and the bean.



- mas não sei se nosso negócio é esse e principalmente se o negócio dele é esse ou se é o mesmo que o meu e então acho que se ficar nisso mesmo, nessas coisas que arrumo pra minha vida, eu não vou ficar triste, deixe estar.
- realmente.

...

- e eu tõ tão perdida que até minha sexualidade se perdeu.
- eu to assexuada faz tempo.
- pois é, eu não há tanto tempo, mas acho que vou ficar e viver do amor dos outros agora. tô com preguiça de viver, amor meu.
- pensei em falar com ele. ele veio falar comigo esses dias, usou até palavra saudade, que não me convenceu, mas o fato é que eu penso nele e me dá uma preguiça.
- a gente precisa de menos preguiça.
- é que as coisas não me estimulam mais tanto. no final eu tenho a impressão que acaba tudo na mesma coisa.
- pois é, tenho essa exata impressão: que vai acabar tudo igual, então pra que começar uma coisa que eu sei como vai acabar?

...

- pensei: hum, preciso ir ao banheiro. fui ao banheiro pensando: preciso fazer silêncio. chego na porta, derrubo o cone, dou uma topada na cama onde alguém dorme e ainda por cima na volta bato o joelho no balcão.
- isso sim é estimulante. nunca se sabe o que pode acontecer ao ir ao banheiro.
- nunca se sabe. a vida é um mistério. por isso, ou melhor, exatamente isso quebra a nossa teoria de que acaba tudo do mesmo jeito. a vida é um mistério, vai saber o que nos reserva. logo, não podemos fugir. 
- pois é, pois é. isso explica outra coisa. pensava em dar cabo logo nessa coisa estranha que tenho  cheia de palavras bonitas, que não sei se quero ou muito menos ainda se ele quer, e eu pensava no final que não faria diferença, mas na esperança de que vai haver o mistério, eu vou prolongando o fim, que é igual a tudo.
- o mistério é motivante.
- mas quando é só mistério, ele se perde. e sobra o medo do mistério, o que faz a gente as vezes realmente dar fim às coisas.

 

 

 



 
 


 
  2007.07.19  19.43
dizem/digo.

'...dizem também que mantenho uma certa distância, que dura mais ou menos dois copos. mas que depois me solto e sou capaz de ir pra casa mais próxima, com quem quer que seja, em busca de um pouco mais... e de aconchego. eu sei que sou um destes qualquer um, que pelo menos te agrade e agrave tua dor. é que começo a me sentir meio só pela madrugada, as ruas vazias. e as pessoas por trás dos vidros, em volta das mesas colocando seus corações em tudo. e eu não tenho muita certeza, mas continuo tentando passar cada dia mais rápido, amaldiçoando e pedindo desculpas, por todo mal estar causado."

OAEOZ, dizem.

eu sei que você vai se arrepender e vai me achar bonita e vai me achar interessante e engraçada e vai me achar estranha e vai se desiluidir e vai me abraçar e me beijar e tentar me prender entre tuas pernas e tentar ser o seu melhor preu ver como você é melhor e é foda e depois vai me esquecer e depois do depois você vai me lembrar e vai se odiar por isso e vai tentar me perder e talvez até consiga e vai se questionar porque fode com a própria vida e vai se perder em lábios mil e nem preciso dizer a pieguice que na verdade você queria mesmo o meu e vai me usar de inspiração e vai arrumar mais o que fazer do que pensar em mim e vai continuar a sua vida e arrumar uma esposa muito mais certa e muito mais magra e muito mais companheira de um grande cara e muito mais grávida e muito mais feliz sempre e muito menos pensante e muito menos viva e muito menos sensível e não sabe as palavras certas e nem explica as sensações e aí quem sabe você olhe pro passado e veja que é mesmo um passado e talvez até goste de não concluir as coisas que aí sobra sempre uma história.

e eu vou fazer uma escova e sair por aí fazendo coisas que realmente me agradam e vou tirar fotos e vou usar meu caxicol e vou abraçar meu amigos e não vou ficar com ninguém porque minha vontade não é mais cheia de beijos e vou ouvir músicas bonitas e ler mais capítulos do meu livro e ficar quentinha embaixo da coberta e vou acordar cedo pra tentar me livrar das olheiras e vou tentar virar um monge e ir pras montanhas fazer piquenique e vou mandar um recado praquele amigo que fala as coisas bonitas que eu gosto de ouvir e vou falar que preciso conversar e vou conversar sobre poesia e flores e etílicos e aquelas coisas todas que muitos acham cafona mas que nós sempre gostamos e nunca nos beijamos na despedida porque a gente gosta mesmo é desse climinha de quase amor que a gente vive e eu vou pensar em você e vou ver que não devo me esforçar pra te mostrar a minha vida e ficar quase falando sozinha e aí eu vou voltar pra minha vida de sempre e vou me esquecer de tudo isso aqui.

 
 


 
  2007.07.14  03.19
carta


"mariama, sinto muita dificuldade em escrever, por isso escrevo lembrando aquilo que passo e não passo, talvez sinto uma insignificancia, outrora não. gostaria um qualquer momento encontrar você e falarmos e bebermos até que um caia ou vá. mariama, fico em vontades de estar aí. beijos terrosos. agora te embarquei no mundo de desconhecidos e ilusões e sonhos. ainda leio kafka e entro cada vez mais no seu mundo sombrio. comentários produtivos? uma flor é mais bela. meu silêncio acabou aqui. agora sou um falador de bosta. adoro falar: coco de galinha! a desatenção do óbvio me leva a caminhos surpreendentes. de mentiras. olhos nos olhos, quero ver o que você diz (...) o que você faz..."

mal traçadas linhas, meu amor.



 
 


 
  2007.07.13  03.46
pro sabor dos nossos sonhos não fugir

vá embora e feche a porta, 
tenho frio. 
vá embora antes que eu chore, 
tenho frio, 

vou trancar-me para nunca mais abrir. 
pro sabor dos nossos sonhos não fugir. 

eu me lembro  de janeiro, 
quando o sol me deu você. 
meu presente  de ano novo 
que agora o frio levou.  

mas por favor, 
senhor sol, 
me dê 
de volta 
Virgínia.



 
 


 
  2007.07.12  04.43
querido diário,

quando acordei, mal consegui abrir os olhos e meu pai já passou uma lista de coisas que eu devia fazer. devia, mas não fiz. lavar louça, lavar roupa, fazer uma lista de compras para casa e esperar as compras. tomei um longo banho e fiquei pensando no que havia escrito ontem e decidi: eu não tenho medo.

depois de passar algum tempo em frente ao computador, resolvi sair, já as cinco da tarde, e levar meus sapatos no sapateiro. porque os sapatos de hoje em dia são feitos para serem consertados [concertados?]. é uma aliança secreta entre as empresas de calçados e os sapateiros. ou apenas o fato de que o dinheiro que tenho só me deixa comprar sapatos vagabundos [mas lindos].

com meu café com leite em mãos, concoredei que sim, agora sim, já havia acordado, mesmo que meu cabelo me traísse e dissesse o contrário, eu estava bem acordada. café com leite nunca foi uma preferência para mim, mas aquela padaria faz um café muito amargo pra tomar com adoçante. e adoçante também não é minha preferência, mas faço tudo para minhas saboneteiras ficarem saltadas. então saí com meu café, que preferia sem leite, devidamente estragado de adoçante, mas preferia açúcar, acendi meu cigarro e passei na casa de um amigo, que eu sei também que nunca fica numa "passada" e sim numa "ficada" e fui ficando, até a hora do sapateiro fechar, o dia escurecer e ouvir estórias estranhas e fascinantes sobre espiritualidade. então fomos tomar outro café e dessa vez decidi tomar puro e com açúcar e com tortinhas de limão e que se lasquem as saboneteiras. 

foi quando papai me ligou dizendo que eu não tinha feito nada do que havia prometido. eu realmente não fiz, mas já tava indo, papai, ja tava indo fazer, mas isso não fez com que ele deixasse de dizer que eu causo-lhe depressão. então fumei outro cigarro e dei outro gole no café, que nesta hora nem parecia ter o açucar que coloquei, e fui para casa.

então encontrei um quarto amigo, nesse momento já eramos quatro, que convenci com cara de cachorrinho de papel de carta, à vir em casa descarregar o mp3 aqui. com a maloo, correndo atrás de mim, eramos cinco, mas nos separamos e viemos em três para casa. papai com cara de bunda, maloo com cara de medo, victor com cara de.. o victor não tinha cara de nada, só de victor mesmo. talvez de frio, por isso emprestei meu moleton brega de dormir pra ele, que ficou feliz e fez uma pasta no meu computador chamada "músicas extraordinárias que o vitão gravou pra mim", com muito belle & sebastian, morphine, mutantes e beulah e outras tantas coisas que me deixaram contente.

eles foram embora, e eu voltei pro computador, onde uma amiga pediu pra vir em casa e prometeu não chorar. eu até a deixaria chorar, mas ela não podia mais, já havia chorado muito por esses dias. enquanto ela vinha, papai cozinhava uma comida mineira muito cheirosa e eu comprei vinho barato e coca-cola para que minha amiga realmente não chorasse, ou se tivesse mesmo que chorar, que chorasse ao meu lado, que não saberia o que dizer, já que ela está com problemas no relacionamento e eu só tenho problemas, sem nem mesmo ter relacionamentos. mas eu ia segurar a mão dela e falaria que ela pode contar comigo, com meus vinhos baratos e coca-colas e com meu charme mineiro.

mas ela não chorou, nós conversamos e fizemos planos de passar mais tempo juntas e ela também me trouxe mais músicas, o que me fez sentir hoje uma pessoa cheia de músicas. e como ela esteve algum tempo away, ela reconquistou meu coração com a trilha sonora de "brilho eterno de uma mente sem lembranças", "lost in translation" e fiest e outras coisas muito divertidas. espero que ela lembre de match point que assistimos juntas, o video do dramatic chipmunk e das lições de photoshop que papai deu à ela e não chore mais.

ela foi embora felizinha de vinho e eu voltei pro computador novamente, pegar mais músicas. porque hoje decidi que seria o dia das músicas. eu tinha tantas outras coisas para pensar, que decidi protelar e pensar só amanhã, pode ser que amanhã eu acorde e tenha uma mensagem explicando coisas que eu não perguntei, mas que explique tudo. vivo esperando surpresas mas elas quase nunca aparecem.

foi quando recebi um e-mail surpresa, mas não era nada do que eu havia pedido ao universo. minha tia fala das energia positivas e do que a gente libera pro universo. e o universo anda bem surdo. preciso me lembrar de contar isso pra ela. ou talvez eu tenha pedido baixinho demais. recebi um e-mail para refletir. era esse mesmo o assunto: reflita. tive que quebrar a promessa de não pensar por hoje e fiquei pensando nas coisas. e enchi todo o meu coração de cafonice e pedi desculpas pro meu amigo:

'peço desculpas se te magoei, acho que você nem pensa que essa é minha intenção. e não é mesmo, nunca pretendi isso. e eu vou tentar ter mais atenção. e eu te amo, porra, não briga comigo não. a gente vai encontrar um jeitinho de todo mundo sair feliz dessa, encontrarmos as coisas boas que gostamos de fazer juntos e fazê-las. tem dias que tem muita gente aqui, que não tem como eu ser só sua melhor amiga, mas eu vou ser sempre sua melhor amiga here inside my heart, babe. e eu gostei muito de você ter me escrito isso e eu espero que esses milhões de linhas que te escrevi sirvam pra alguma coisa [no mínimo pra te cansar, né?] e eu espero anciosamente uma resposta e espero que eu tenha sido clara nas minhas opinões, que não passam realmente de opiniões, de perspectivas de um fato e que que você volte logo a me amar e trazer cds pra mim. não, você não serve só pra isso, se eu pudesse fazer o mesmo por você e te gravar cds, eu gravaria. mas não tem nada que eu tenho e que você não tenha que irá te interessar, infelizmente.  e se você quiser nunca mais me gravar cds, eu tambem posso conviver com isso. enfim... me de uma resposta que eu fiquei agoniada em pensar que você tá triste e que a culpa é parcialmente minha. te amo, viu? eu já disse isso um monte de vezes, mas é pra você não esquecer. você é um menininho difícil, mas a gente vai entrar no eixo. e seremos dois velhinhos felizes cantando junior senior na banca de legumes.'

desculpas pedidas, chazinhos tomados, músicas baixadas, roupas estendidas no varal, louça semi-lavada (o frio me impediu de ficar mais tempo com as mãos na água).. acho que posso dar meu dia por terminado. teve uma ou duas coisas que também me fizeram pensar, mas nada que já não tenha pensado antes e que não possa superar. afinal, eu não tenho mais medo e hoje concluí: não sou mais uma menina, não sou frágil, não tenho cabelos obedientes, mas quem sabe? a vantagem disso tudo seja minha.

 
 


 
  2007.07.11  04.42
sei de longe e sei de cor.

tu ris, tu mens trop. tu pleures, tu meurs trop. tu as le tropique dans le sang et sur la peau. geme de loucura e de torpor. já é madrugada.. acorda, acorda, acorda, acorda, acorda. mata-me de rir, fala-me de amor. songes et mensonges, sei de longe e sei de cor. geme de prazer e de pavor. já é madrugada.. acorda, acorda, acorda, acorda, acorda.. vem molhar meu colo, vou te consolar. vem, mulato mole dançar dans mes bras. vem, moleque me dizer onde é que está ton soleil, ta braise. quem me enfeitiçou? o mar, marée, bateau. tu as le parfum de la cachaça e de suor. geme de preguiça e de calor. já é madrugada.. acorda, acorda, acorda, acorda, acorda, acorda, acorda, acorda, acorda, acorda..


meu estomago dói. enchi a caneca de água para fazer café. meu coração está disparado, eu tenho medo. não queria beber café agora, é tarde, tento todo dia colocar minha meu relógio no lugar, parar de pensar tanto antes de dormir, acreditar, meu deus, acreditar. e café agora? estou anciosa como se nunca tivesse passado por isso e na verdade esse maracatu em mim é porque já passei. estou passando e quero ficar, mas o medo, o medo, o medo me fez encher aquela caneca de água e tomar café. e eu já bebi vinho hoje, bebi cerveja, ouvi sambas pensando em você. se eu não tivesse lavado louças, panelas e tantas xícaras em água gelada ao chegar em casa, diria até que resta um pouco de embriaguez em mim.

cigarros, cigarros e mombojó. penso em tudo que me propus a não pensar: nas mãos, na presença, na expectativa que transborda e muitas vezes não faz jus. e quem é que faz jus? e estou aqui escrevendo, madrugada, e essa tonteira que não me deixa calar. vou ficando cada dia mais cafona, imaginando coisas que me fazem achar que a vida vale ainda mais a pena e que tudo que já vi de bonito vai acontecer pra mim e ainda mais bonito porque minha capacidade de pertencer é grande, eu posso fluir, eu posso entrar em suas entranhas. eu posso compreender cada suspiro, se você me ajudar.

me restam dois cigarros e sinto em mim vontade de tragar tudo tudo à minha volta, num só instante. e eu que falei que ficaria mais esperta, falei tanto, dei-me um sermão ao reler, reler e sentir que só pode ser isso. "meu deus, meus deus, meu deus", ao invés de algo impessionante, meus dedos bobos só chegam em: meu deus, meus deus, meus deus. justo eu que não acredito em deus. 

[eu que] quis modernizar o amor, quis tantas vezes me teletransportar, tenho vontade de ler o que encontro perdido num livro e ver você sorrir, tenho olheiras e um inglês ruim,  fico o dia inteiro cantando e me irrito comigo e fico rouca, que não conheço as grandes obras, que devia conhecer cinema, que queria ser genial.

eu, que escrevo esses caracteres todos para falar do meu próprio umbigo.



 
 


 
  2007.07.09  04.57
água perrier

eu tentei, eu tentei explicar, mas em pouco tempo estava falando de 'ariel, a pequena sereia'. 


é assim, é ter tempo para as coisas que nos deixam mais feliz. agora saio de casa feliz porque estou saindo e fico ainda mais alegre, numa alegria moderada de quem tem um segredo bom e não tem a quem contar, ao ficar apenas em minha companhia: faço uma ótima sala para mim mesma. talvez fazer um arquivo.. sim, um arquivo com essas fotos que nenhuma maquina tirou, as coisas bonitas que já ouvi mas que nunca vou contar, para caso alguém não tenha tido tamanha felicidade, não se fira. coisas que somente eu sei parecem ainda mais bonitas. jamais falaria para permanecerem assim, tão minhas, mas é simples, ao alcance do braço de quem passa pela minha janela. 

nada muda o fato de ser único, do dinheiro ter acabado ou sequer começado a aparecer, idéias que não se concluem, dançando ciranda enquanto meu café faz efeito e nada de dormir, nada de dormir e eu não ter feito nada.. não ter feito nada! tanta coisa para ser feita e eu não fiz. tanta coisa que pedia pra ser feita por mim. coisas que não vão pro arquivo. 

vou arquivar as coisas boas. e as coisas boas são simples, são sentimentos claros.. você tem dúvidas da felicidade? sequer se questiona! se é bom, é bom. e que permaneça assim.. é como explicar em uma palavra aquilo que abrange, que é grande.. ontem esbarrei na palavra 'plenitude'. numa felicidade tão boba, que escrevi felicidade pra não esquecer. arquivar, arquivar. até me dar preguiça e a coisa boa começar a ficar tão grande que dá preguiça. então vou deixar só no papelzinho, bem simples, escrito no recibo da unimed mesmo: felicidade. e ela fica lá, perdida em algum canto do arquivo. mas tá ali, eu sei, eu arquivei, irei me lembrar.. e eu continuava a falar da ariel, que queria o fruto do vizinho, sem nem mesmo saber que era 'risinho'.



 
 


 
  2007.07.03  04.58
porque eles falam.


minha miopia nos uniu. 
com um pouco de alcool tudo é possível.. até rodopiar num salão onde não se rodopia mais. lá estava eu, sendo justa com o pedido de minha saia: uma saia rodada quer se exibir. minha visão passava 360 graus em poucos instantes e estavam lá aqueles olhos azuis.  uma, duas, dez vezes. fincados em mim. nunca achei que olhos azuis fossem o caso, mas eles eram azuis. pequenos e piedosos. ou essa era penas o que minha miopia me deixava crer.  veio até mim com um simples cumprimento, que retribuí sem graça. senti cada vez mais perto o coração e aquilo não era nada. não era por ele, era por mim.  ficamos mudos e continuei a lavar minhas mãos. fiz a seqüencia invertida: primeiro peguei papel, as lavei depois, sem atentar ao que estava fazendo. e olhei pro lado. e ele ainda estava ali. era um banheiro onde homens e mulheres usavam, enquanto bebiam e fumavam e flertavam. uns com os outros, sem distinção. hoje em dia ainda se flerta? não sei, mas essa era a tentativa dele. segurei firme meu olhar. já não era mais tão moço, certamente ainda flertava. e eu era uma enorme menina, conclui. era assim que ele me via. alguma coisa como 'girl, you'll be women soon'. e resposta à isso me pareceu: 'he's not your kind'.

  - você ainda está aí..
 não intecionava falar, mas a verdade com quem pensei fez com que se tornasse audível. é claro que ele estava, podia enxergar. respondeu-me justamente isto e novamente se calou. e me vi sentada no balcão, tomando uma cerveja com o desconhecido. não se tratava de um desconhecido, mas 'o desconhecido'. já não questinava porque estava ali, não havia como negar o pedido de alguém que assumia:

 - estou nervoso.. - e pedia um favor, - por favor. 
sim, por favor eu podia fazê-lo. se conseguisse fazer algo, certamente flertaria comigo. mas ele não fazia nada, pedia-me pra falar. e eu não queria, me negava em silêncio completo. se soubesse como gosto de falar, se assustaria com a gravidade de minha recusa. não posso falar simplesmente porque alguém quer mas sequer me motiva. eu perguntava, ainda paciente, o que ele queria ouvir. e ele não sabia. não sabia mas nos achava predestinados. se eu gostasse de tarô, pouco importava. para ele já estavamos predestinados, antes mesmo que eu pudesse gostar de algo, mentir ou calar-me. 

devia tê-lo calado. ele já não falava, mas pedia-me coisas. queria que provasse como deviamos ficar juntos. não seria esse o papel dele? mesmo depois de tantos anos vividos, só segurava minha mão. eu  não sabia o que fazer com aquilo, há tempos o desconhecido não me convidava para tomar uma cerveja. intimou-me a dizer algo, pediu-me cigarro e para que o acendesse. emprestei meu fósforo. ele reclamou. disse ainda que não havia fósforos que funcionavam. olhei, havia apenas um. predestinados? ele não usou o ultimo fósforo, já havia acendido com a brasa. era o último fósforo. era o fósforo dele. lembra?, predestinados. mas ele não lembrou e novamente reclamou: minhas mãos não apertavam a dele.

não apertaram até nos despedirmos, quando mais uma vez tentou dar-me as mãos, que já estavam ocupadas por uma pimenta. achou estúpida a pimenta, resmungou estar fora do caminho, mesmo eu não tendo pedido que me acompanhasse. falei que podia partir, minhas mãos não segurariam as dele. bêbado, continuou tentando andar e olhar-me o rosto. era difícil, assumiu. talvez tenha novamente reclamado, foi algo freqüente naquela noite.. mas eu já não prestava atenção, eu me ria toda por dentro. ele não quis saber como era pra mim pertencer, mesmo tendo explicado amplamente. ele não me agradava naturalmente, mas também não tentou fazê-lo artificialmente. por isso fiquei ali, mesmo sem falar, mesmo sem ouvir. dei minha companhia, ainda que muda, à ele pela sinceridade.

predestinados, ele pensava. o cinema nos unia, o jornalismo, o meu perfume, minha junventude e a falta dela nele. aquela noite sem esperanças, o efeito do alcool para a razão. eu precisava logo morar naquele lugar, por mim e por ele,  dizia. eu ria. ele me fazia rir, achou até que tinha humor refinado. isso me fazia rir mais ainda. e eu ficava ali porque queria acreditar. que algo nos unia, que a falta de jeito dele não iria me irritar em pouco tempo, que leriamos juntos e que ele se esforçaria todo dia pra me pertencer. e também porque faz tempo que não mexo nos cabelos de alguém.. achei podia só me dar sem receber, já que me sinto tão cheia que transbordo. mas eu via de perto. via de muito perto. tudo era apenas miopia. 


e ele ia se afastando, tropeçando na noite, brigando com o destino.



 
 


 
  2007.07.03  00.00
bonheur clandestin

sorte de hoje:
divida sua felicidade com os outros hoje mesmo.

estou bem próxima.
dentro de pouco tempo terei alucinações de sono. falta de sono. meu corpo está com a sensação incomoda de viver mais do que podia hoje. e ainda não quero dormir. horas em frente ao computador tentando me atualizar e baixar um dicionário de sinonimos. por que, meu deus, é tão difícil baixar um dicionário de sinonimos? '- responda, vagabundo!', eu disse no msn para um amigo. e ele respondeu 'não sei'. o vagabundo não era ele, e sim o outro barbudo. ele também disse que eu poderia encontrar no word. não deus, o meu amigo. deus se absteve. eu não tenho word. nada de dicionário de sinônimos. quanto mais tempo ficar aqui, menos sinônimos terei em mente. e mais dores nos ombros.

eu pareço rabugenta. (?)

encontrei um outro amigo em frente ao vestibular. gosto de chamá-los todos amigos, mesmo não passando de um recém-conhecido. assim as pessoas são mais minhas. ele só me conhecia por fotos e confessou hoje que me achou deprimida. '-mas depois que falei contigo, te achei animada'. não foi animada a palavra, mas assim meu cérebro registrou: deprimida e animada. expliquei que porta de vestibular não é a coisa mais animadora para mim. ele quis saber se escrevi algo no meu caderno sobre ele. meu 'caderno de joel barish'. não escrevi, mas escrevo agora. entenda, não sou deprimida, mas prefiro cafés à meio-fio esperando prova.

talvez ele esteja certo, ando fazendo coisas de gente rabugenta. passei um dia inteiro sem tocar os pés na rua. começo à ler enquanto as pessoas falam, faço comentários com sinceridade gratuita. e essas são as rabugices mais felizes. hoje decidi que quero comprar taças. não é bom? se alguém me pergunta: 'o que fizestes de bom hoje?', me alegro em contar sobre minhas taças que ainda não tenho. taças que lembram tulipas. e isso não me parece rabugento.

agora, por exemplo, vou me permitir grandes alegrias: um banho demorado ouvindo billie holiday, a manhã que quase nunca vejo, um café e um pãozinho na padaria, um passeio pela praça com minha maquina fotográfica e horas seguidas de sono. e tem meu presente: 'o livro de cabeceira'. que não é um livro, mas um filme. sobra tempo ainda pra ler e pensar no meu novo assunto preferido: lenhadores.

porque lenhadores, sim, lenhadores vão tirar qualquer dúvida sobre minha rabugice. minha felicidades clandestina..

 
 



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